Carolina Azevedo
Você nunca vem quando diz que vem. Por outro lado, você vem, sim. Estrela Brava é um filme que se constrói sobre as coisas-sendo-o-que-não-são, vindo-quando-não-vêm. Entre a imaginação erótica e a catastrófica, uma outra modalidade de esteticismo, completamente contemporânea, salta da tela. A imagem é plana e os sentimentos são apresentados sem cerimônia, como permite o terror de ficção científica.
Os corpos, recortados a serviço do olhar do voyeur, distraem das emoções que os envolvem, marcando o caráter mais erótico do que romântico do filme. Nessa relativa despretenção e vulgaridade, a direção de Jorge Polo constrói uma obra radicalmente divertida e sedutora.
A sedução começa logo que a Praia Brava, em Búzios, aparece em tela. A cidade que Polo transforma em cinema – nesse e em outros de seus filmes – é apresentada como ponto de encontro pitoresco.
Brasil. 2025. 25 minutos
Em exibição até 5 de abril
Uma estrela cai na Praia Brava. Um rapaz espera o namorado enquanto um ET devora banhistas. Entre terror sci-fi e erotismocamp, o desejo não correspondido vira monstro, e a praia vazia, delírio sedutor.
Estrela Brava; 2025; 25 minutos; Brasil; Elenco: Lucas Souza Teixeira, Gustavo Pires, Bárbara Cabeça, Akira Band, Jorge Polo; Produção: Bárbara Cabeça, Jorge Polo; Roteiro, Direção e Montagem: Jorge Polo; Empresa produtora: Barranco; Coprodução: Lambeolhos, Campos Gerais.
por Jorge Polo
O filme parte do desejo de voltar a um espaço, a Praia Brava, e a outros filmes de que gosto ou que quero eventualmente fazer. Uma mistura de fragmentos de memórias de diferentes naturezas em uma estrutura que se pretende slasher.
Lembranças de cinema, de lendas e de causos da cidade de Armação dos Búzios, juntando ainda com ideias em estágio inicial para outros filmes.
A briga em Kairat (Omirbayev, 1992), que faz pássaros voarem do telhado, se mistura à memória da casa mal-assombrada que virou boate no centro.